Golpes por SMS e WhatsApp: Correios, Receita, multas, falsa central do banco e Pix
Uma encomenda retida, uma taxa da Receita, uma multa, uma ligação da "central do banco", um parente com número novo: as mensagens de golpe imitam o que chega todo dia. O que as instituições realmente fazem, como conferir sem clicar e o que fazer se você caiu.
Em resumo
Uma mensagem de golpe pressiona você a clicar em um link, pagar uma taxa ou passar um código. Não clique: confira no app ou site oficial. Os Correios não enviam links diretos para pagamento, a Receita não cobra nada por mensagem e o banco nunca liga pedindo senha, transferência ou instalação de app. Se pagou por Pix, acione o MED no app do banco o quanto antes.
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As mensagens de golpe funcionam porque se parecem com o que recebemos todo dia: uma encomenda, uma cobrança, um aviso do banco, um parente pedindo ajuda. A armadilha é o link, o código ou o pagamento: o link leva a uma cópia convincente de um site de verdade, que pede uma taxa, os dados do cartão ou a senha. Em 2025, o Brasil registrou 2.261.055 ocorrências de estelionato, entre golpes tradicionais e digitais, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública: uma média de 258 por hora.
O que as instituições de verdade fazem e não fazem
- Os Correios não enviam mensagens com links diretos para pagamento nem pedem dados pessoais ou financeiros por e-mail, SMS ou WhatsApp. O SMS oficial só avisa sobre pendências ou taxas de objetos internacionais e orienta você a usar o site ou o aplicativo.
- A Receita Federal nunca liga nem manda mensagem cobrando pagamento para liberar encomendas, e não envia e-mails ou mensagens por aplicativo para cobrar nada. Uma encomenda que chegou pelos Correios se paga só pela página Minhas Importações, no site ou no app dos Correios.
- O banco nunca liga pedindo senha, número do cartão, transferência ou pagamento, e nunca liga pedindo que você instale um aplicativo, segundo a Febraban. Os bancos também nunca pedem o cartão de volta nem mandam alguém buscá-lo na sua casa.
- Multas de trânsito: o canal oficial de notificação eletrônica é o Sistema de Notificação Eletrônica (SNE), dentro do app Carteira Digital de Trânsito, com login gov.br. Confira a multa ali, nunca pelo link de uma mensagem.
Os golpes mais comuns, pelo nome
- Falsa central de atendimento: alguém se passa pelo banco por ligação, SMS ou WhatsApp, fala de uma compra suspeita ou de um problema na conta e pede senha, código ou transferência.
- Golpe do motoboy: o "banco" diz que o seu cartão foi clonado e manda um motoboy buscá-lo, às vezes pedindo a senha.
- Golpe do número novo: alguém usa a foto de um parente ou amigo, diz que trocou de número e pede dinheiro. O CERT.br aconselha: não salve o novo número sem confirmar antes, conversando com a pessoa pelo contato de sempre.
- WhatsApp clonado: o golpista pede o código de segurança que o WhatsApp envia por SMS, fingindo ser uma loja ou um serviço. Nunca compartilhe esse código.
- Pix "por engano": alguém manda um Pix e pede que você devolva para outra conta. O CERT.br orienta a devolver só para a conta de origem, pela opção de devolução do app do banco.
Como conferir sem clicar
- Não clique no link, não responda e não ligue para o número da mensagem.
- Abra você mesmo o app ou o site oficial (do banco, dos Correios, da Receita, da Carteira Digital de Trânsito) e veja se a mesma pendência aparece lá.
- Para uma encomenda, consulte o código de rastreamento no site da loja ou dos Correios.
- Na dúvida, ligue para a instituição por um número que você mesmo procurou, como o que está no verso do cartão, de preferência de outro telefone.
- No WhatsApp, ative a confirmação em duas etapas, como recomenda a Febraban, e deixe a foto do perfil visível só para os seus contatos.
Se você clicou, pagou ou passou dados
- Pagou por Pix? Acione o MED (Mecanismo Especial de Devolução) pelo aplicativo do seu banco o mais rápido possível. Segundo o Banco Central, dá para pedir a devolução em até 80 dias após a transação, mas o MED não garante a devolução e não vale para Pix feito por engano. Se o banco não resolver, abra uma reclamação no Banco Central.
- Passou dados do cartão ou vê compras que não fez? Peça o bloqueio do cartão e conteste as compras indevidas.
- Digitou a senha em uma página falsa? Troque a senha em todas as contas onde ela é usada, ative a verificação em duas etapas e encerre as sessões abertas em outros aparelhos.
- Corte o contato com o golpista e bloqueie o número: não envie mais dinheiro nem tente negociar.
- Guarde as provas (links, prints, mensagens, números, comprovantes) e faça um boletim de ocorrência: segundo o CERT.br, na maioria dos casos dá para fazer online. Em São Paulo, pela Delegacia Digital da Polícia Civil.
- Avise os seus contatos se alguém estiver se passando por você.
Um antivírus ajuda?
Em parte. No celular, alguns pacotes acrescentam a verificação de links e de mensagens de golpe, e o próprio Google Play Protect impede a instalação de apps não verificados com permissões sensíveis, que costumam ser usados em fraudes financeiras. É uma rede de proteção útil, principalmente para parentes com menos familiaridade com o celular. Mas nada substitui o hábito de conferir primeiro no app ou no site oficial.
A mensagem não é o golpe. O link, o código e o Pix são. Vá sempre você mesmo ao canal oficial.
Fontes · verificadas em 14 de outubro de 2026
- Fórum Brasileiro de Segurança Pública — 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (julho de 2026, PDF)
- Correios — Segurança: comunicações oficiais
- Receita Federal — É golpe? (remessas postais e expressas)
- Ministério da Fazenda — Febraban dá dicas para que cliente se proteja de novo golpe bancário
- Ministério da Justiça — Glossário de tipologias de fraudes e golpes digitais (outubro de 2025, PDF)
- Banco Central — Segurança no Pix e MED
- Senatran — Carteira Digital de Trânsito: adesão ao SNE
- CERT.br — Cartilha: Golpes, evite fraudes (março de 2026, PDF)
- CERT.br — Cartilha: Golpes, o que fazer (maio de 2026, PDF)
- Polícia Civil de São Paulo — Delegacia Digital
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